Comunicação Colorida: Blog conta o drama de jornalista que ficou mais de um ano cuidando do marido na UTI

janeiro 31, 2018


Cristiano ( esquerda) Miguel (direita)

Estar do lado de quem se ama.
Estar do lado de quem se ama que está doente
Estar do lado do quem se ama que está doente em uma UTI
Essa é a realidade de muitos casais. E durante 16 meses, Miguel Rios, Jornalista de 50 anos viveu esse duro cotidiano com Cristiano. Eles se conheceram em 1998.
Em seis de janeiro 2015, Cristiano é internado no Hospital Esperança em Recife, com febre e dificuldades respiratórias. Ele só sairia do hospital sem vida. Diagnóstico: Síndrome de Guillan Barré, uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular. No caso dele atacou diretamente o cérebro. Miguel passa a morar no Hospital. O relato desse 1 ano e quatro meses ele relata em “Histórias de UTI”. Miguel conta ao Comunicação Colorida que o blog é um conjunto de textos escritos no facebook ao longo da Jornada.
“Eu visitava Cristiano na UTI, pelo menos duas vezes ao dia. Eu orbitava em torno dele. Daí, eu vivi mesmo aquele lugar” conta Miguel.
Historias de UTI’ conta também com outras histórias que Miguel encontrou lá.
“Foram oito meses que ele passou na UTI. Me envolvi com outras histórias, conheci pessoas, vivi e dividi angústia e sofrimento com elas. Vi pessoas morrerem e pessoas se recuperarem. Foi bem intenso”
Cristiano chegou a ter uma surpreendente melhora, tinha saído do estado vegetativo e chegou sair da UTI e ir para o quarto. Porém Cristiano dava sinais de tristeza e angustia. Miguel conta como foi para ele lidar com essa situação:
“Era bem dúbio pra mim. Eu tentava encorajá-lo, mostrar que ele melhorava, que tinha saído do coma, passado pelo estado vegetativo, agora já assistia tv, me via. Mas não sabíamos o nível de real consciência dele, como ele nos percebia. Havia momentos em que parecia interagir bem e em outros fica olhando pro teto como que perdido. Era bem angustiante.”
A história de amor de Miguel e Cristiano foi matéria do “Diario de Pernambuco”. Mesmo com a história de um homem que passa a viver em um hospital, o comentário no portal era de ódio pelo fato de serem dois homens. Mesmo assim Miguel nos conta que durante esse tempo não sofreu nenhuma forma de discriminação nem mesmo pelo plano de saúde que gastou muito com o caso de Cristiano.
A fé também fez parte da vida de Miguel. Cristiano era católico e Miguel havia retornado à umbanda. Seus guias jamais prometeram a cura, mas que não desistiriam.
“E, no fim, justamente por ele não ter mais condições de evoluir, creio que foi uma decisão dele não querer mais continuar vivo. Quanto mais ganhava consciência, mais se mostrava depressivo e angustiado pela situação de invalidez. Tanto que morreu de uma hora pra outra, numa segunda-feira, após um fim de semana de muitas expressões de angústia”, explicou o jornalista.
Cristiano morreu em 18 de abril de 2016. Durante dois meses Miguel fica entre o trabalho e a casa. Ele chegou a se envolver com outra pessoa ainda em 2016. Ele mesmo considera precipitado, mas importante para que ele voltasse a vida.
Hoje Miguel está em novo relacionamento.

http://comunicacaocolorida.com.br/1328-2/

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